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EWZ e ADRs brasileiros disparam após 1º turno eleitoral

Escrito por Redação Portal do Supply Chain | 05/10/2026 11:47

O pré-mercado de Nova York registrou nesta segunda-feira (05/10/2026) uma alta generalizada nos ativos brasileiros. O fundo EWZ, que acompanha a bolsa brasileira, subia mais de 12% e ADRs de Petrobras, Vale, Itaú e outras companhias disparavam, segundo reportagem do Valor Econômico publicada às 7h50. Para quem compra insumos importados, contrata frete internacional ou tem contratos atrelados ao dólar, o dado importa: parte dessa alta reflete expectativa de valorização do real, o que pode baratear, ao menos no curto prazo, produtos e matérias-primas cotadas em moeda estrangeira.

O gatilho: resultado do 1º turno

O movimento aconteceu no primeiro dia de negócios após o primeiro turno das eleições presidenciais. Segundo o Valor, o senador Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos contra 45,16%. O J.P. Morgan, citado pela reportagem, destaca que essa vantagem de cerca de 2 pontos percentuais foi a surpresa da eleição e tornou o senador favorito para o segundo turno.

O banco pondera, porém, que o chamado terceiro bloco, formado principalmente por candidatos de centro e centro-direita e com cerca de 8% dos votos, ainda pode alterar o resultado final. As pesquisas e os padrões históricos, segundo o J.P. Morgan, sugerem que Flávio deve ficar com a maior parte desses votos no segundo turno, mas isso ainda não está definido.

Quem mais subiu no pré-mercado

Por volta das 7h30, o EWZ subia 12,01%, cotado a US$ 42,80. Entre os ADRs ligados a setores industriais e de commodities, que afetam diretamente cadeias de suprimento, o avanço foi disseminado:

AtivoAlta no pré-mercadoPreço (US$)
EWZ (fundo Brasil)12,01%42,80
Petrobras ON10,58%23,94
Itaú12,46%9,66
Bradesco12,60%4,11
Vale6,32%14,63
Gerdau6,39%5,33
Embraer6,34%79,98
Suzano3,06%8,76
Ambev8,21%3,23
XP15,34%24,80
PagBank15,30%10,40
Stone13,40%10,83
Nubank10,65%14,90
Inter12,59%6,17

Vale, Gerdau, Embraer e Suzano concentram boa parte do que entra e sai das cadeias de suprimento industriais brasileiras: minério de ferro, aço, componentes aeronáuticos e celulose. A reação do mercado a essas quatro ações serve como termômetro de como investidores enxergam o risco Brasil para setores que exportam commodities e também importam peças e equipamentos.

A ressalva que o próprio Valor faz sobre o EWZ

O Valor Econômico chama atenção para um ponto técnico que importa para quem usa o EWZ como referência de humor do mercado brasileiro: o desempenho do fundo também incorpora o efeito do câmbio. Isso quer dizer que a alta de 12% não se traduz necessariamente em um avanço da mesma magnitude da bolsa brasileira medida em reais.

Em outras palavras, parte do ganho em dólar do EWZ vem de uma expectativa de valorização do real, não só de alta das ações em si. Para times de compras e tesouraria que acompanham câmbio para precificar contratos de importação, essa distinção evita conclusões apressadas sobre o tamanho real do rali na B3.

O que os analistas esperam para o múltiplo da bolsa

Segundo o J.P. Morgan, os analistas esperam uma expansão de 20% a 25% do múltiplo preço/lucro (P/L) do MSCI Brasil, calculado com base nos lucros projetados para os próximos 12 meses. A expectativa do banco é que metade desse movimento ocorra no curtíssimo prazo, com o restante dependendo de maior clareza sobre o plano macroeconômico, a composição do ministério e um cenário externo favorável.

Atualmente, o índice negocia a 8,8 vezes o lucro projetado. O J.P. Morgan avalia que esse múltiplo pode se aproximar de 11 vezes, patamar que, segundo o banco, só foi alcançado nos últimos cinco anos no início de 2026, impulsionado por entradas recordes de recursos estrangeiros.

O que isso muda na prática para quem compra e importa

Se o movimento de valorização do real se sustentar nos próximos pregões, o efeito prático para quem fecha contratos em dólar, como importação de máquinas, componentes eletrônicos ou insumos químicos, é um custo relativamente menor na conversão cambial. Essa é uma leitura possível a partir dos dados, não um fato consolidado: o resultado eleitoral ainda não está definido, e o próprio J.P. Morgan reconhece que o terceiro bloco pode mudar o cenário no segundo turno.

Para quem depende de exportação, como celulose (Suzano) e minério (Vale), um real mais forte tende a reduzir a margem em reais sobre receitas em dólar, um ponto que áreas de planejamento e hedge cambial devem monitorar nas próximas semanas. Nenhuma dessas tendências está garantida: o próprio texto do Valor registra o movimento como reação de pré-mercado a um resultado parcial e sujeito a reversão.

O quadro muda de novo com o segundo turno e com decisões sobre composição de ministério e plano macroeconômico, fatores que o próprio J.P. Morgan lista como condicionantes da segunda metade do reajuste de múltiplo esperado para a bolsa brasileira.