A Air France KLM Martinair Cargo (AFKLMP) está ampliando e automatizando seu centro de perecíveis no aeroporto Paris-Charles de Gaulle (CDG), em resposta ao aumento da demanda nesse segmento. O projeto prevê armazenagem e retirada automatizadas de cargas em vários níveis. Para exportadores brasileiros, a mudança merece acompanhamento, mas ainda não há informações suficientes para rever prazos, custos ou a escolha de rotas.
O investimento inclui um veículo elevador de transferência, conhecido pela sigla ETV, da Lödige Industries. O equipamento será empregado na movimentação de ULDs e paletes dentro da estrutura de armazenagem.
O que muda no terminal de Paris-CDG
O núcleo do projeto de ampliação e automação é a movimentação automatizada entre diferentes níveis de armazenamento. A intervenção combina expansão do centro de perecíveis com a instalação do sistema fornecido pela Lödige.
A informação disponível, porém, não quantifica quanto espaço ou capacidade de processamento será acrescentado. Também não detalha quando o equipamento entrará em operação nem como ocorrerá a implantação em relação à rotina do terminal.
Essa distinção importa: ampliar a estrutura e automatizar uma etapa são mudanças concretas no projeto, mas não demonstram, por si só, quanto tempo uma carga economizará no percurso completo.

| Aspecto | Informação disponível | Ponto a confirmar |
|---|---|---|
| Estrutura | Ampliação do centro de perecíveis | Capacidade adicional |
| Automação | ETV da Lödige para ULDs e paletes | Início da operação |
| Demanda | Crescimento motivou o investimento | Volume e período de referência |
| Relação com o Brasil | Não detalhada no resumo disponível | Embarques e serviços atendidos |
O que isso representa para exportadores brasileiros
Não é possível afirmar que a ampliação beneficiará uma operação brasileira específica. Antes de considerar o investimento no planejamento, o embarcador precisa confirmar com a companhia ou seu agente de cargas se o fluxo contratado utiliza esse centro em Paris-CDG.
Essa checagem evita atribuir ao embarque uma melhoria de infraestrutura que pode não fazer parte de seu percurso. A presença de uma companhia na operação não basta para demonstrar que determinada carga passa pela instalação ampliada.
Para quem confirmar essa conexão, a próxima pergunta é operacional: quais etapas do atendimento serão alteradas pelo novo sistema? É necessário distinguir movimentação dentro do armazém, disponibilidade para retirada e tempo total até o destino. São recortes diferentes, que não devem ser tratados como um único ganho de prazo.
Automação não comprova redução de frete ou perdas
A análise do investimento deve separar a função prevista para o equipamento dos resultados efetivamente medidos. O ETV será utilizado para armazenagem e retirada automatizadas; a base disponível não apresenta indicadores de produtividade, redução de avarias ou desempenho térmico.
Também não há informação que sustente promessa de frete menor. Assim, eventuais benefícios comerciais ou de qualidade precisam ser confirmados, e não incorporados antecipadamente a uma cotação ou compromisso de entrega.
Na avaliação posterior, vale comparar indicadores equivalentes antes e depois da implantação, com definição clara do início e do fim de cada etapa. A mesma disciplina vale para o cálculo do OTIF: mudanças no critério de medição podem produzir uma melhora aparente sem avanço correspondente na entrega.
Quais informações faltam para uma decisão
Os próximos dados relevantes são o cronograma de implantação, a capacidade adicional e a identificação dos serviços que utilizarão a estrutura. Para operações brasileiras, também será necessário confirmar quais embarques de perecíveis passam pelo centro.
Até que essas informações estejam disponíveis, o investimento deve entrar no acompanhamento da infraestrutura da rota, não como justificativa automática para reduzir estoques de segurança, encurtar prazos prometidos ou renegociar fretes com base em economias ainda não demonstradas.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.
Renata Bicalho Furtado é a especialista de Logística do Portal do Supply Chain. Acompanha o que se move no setor — aquisições, concessões, obras, novos CDs, greves e resultados — e publica o fato com número, data e fonte. Cada nota termina no efeito prático para quem toca a operação.
