A CMA CGM fechou a compra da FedEx Supply Chain, movimento que triplica o braço de armazenagem da Ceva Logistics nos EUA e no Canadá e acelera a concentração de operadores logísticos globais.
A FedEx Supply Chain era a unidade de logística contratada da FedEx Corp., responsável por armazenagem, automação e distribuição para clientes dos setores de saúde, tecnologia, consumo e varejo. Com a compra, esses ativos passam para a Ceva Logistics, a divisão de logística contratada da CMA CGM Group.
| Indicador | O que a compra adiciona à Ceva |
|---|---|
| Área de armazéns | +34 milhões de pés² na América do Norte (triplica o footprint anterior) |
| Clientes | +130 |
| Armazéns combinados | cerca de 150 |
| Presença geográfica | mais de 240 locais na América do Norte |
| Força de trabalho | dobra, para 20 mil pessoas |
Segundo a CMA CGM, muitas das instalações da FedEx Supply Chain usam automação e robótica avançadas, o que reforça a capacidade técnica da Ceva em cadeias complexas de ponta a ponta nos Estados Unidos e no Canadá.
A aquisição não é um movimento isolado. Ela se encaixa na estratégia da CMA CGM de ser uma operadora logística ponta a ponta: navio próprio, terminal portuário, companhia aérea de carga e armazenagem sob o mesmo grupo, cobrindo desde a origem da fabricação até a entrega final em loja ou residência.
Dois sinais reforçam essa leitura. No verão passado, a CMA CGM contratou Patrick Moebel, até então à frente da FedEx Logistics (unidade de frete e desembaraço aduaneiro da FedEx), para comandar a Ceva Logistics. E, como já havia sido combinado quando o negócio foi anunciado em julho, a CMA CGM se torna transportadora marítima preferencial da FedEx por vários anos, com as duas empresas colaborando também em capacidade de carga aérea em rotas de longo curso. A FedEx opera a maior companhia aérea de carga do mundo, então o acordo mira melhor utilização de aeronaves e mais flexibilidade de alocação.
A FedEx Supply Chain representava menos de 2% da receita consolidada anual da FedEx, segundo a CMA CGM. Com a venda, a FedEx concentra investimento e atenção em transporte de frete e entrega de encomendas, seu núcleo de negócio, e deixa a logística contratada (armazenagem terceirizada para clientes corporativos) para um parceiro que já está se tornando, ao mesmo tempo, seu principal fornecedor de transporte marítimo.
O negócio em si aconteceu nos Estados Unidos e no Canadá, e a fonte não traz dado algum sobre operações da Ceva Logistics ou da FedEx Supply Chain na América Latina. Mas a leitura estratégica interessa a qualquer diretor de supply chain que negocia contratos com operadores logísticos globais, inclusive no Brasil.
Em resumo: a CMA CGM Group está deixando de ser só uma armadora para virar uma operadora logística de ponta a ponta, sob o mesmo guarda-chuva, navio, terminal portuário, companhia aérea de carga, armazém e entrega final. Quando um grupo controla transporte marítimo, aéreo e armazenagem ao mesmo tempo, o embarcador que hoje negocia esses serviços separadamente com fornecedores diferentes perde uma alavanca de barganha: a de comparar preço e nível de serviço entre players independentes.
Para quem administra contratos de 3PL no Brasil, isso sugere três pontos de atenção antes do próximo ciclo de renovação:
Isso não significa que a Ceva Logistics vá repetir no Brasil o movimento que fez nos Estados Unidos; a fonte não trata de planos para a América Latina. Mas ondas de concentração entre operadores logísticos globais costumam anteceder, por alguns anos, mudanças de apetite de preço e de disponibilidade de capacidade também em contratos regionais negociados por filiais brasileiras de multinacionais.
A FreightWaves não detalha como os 130 clientes herdados da FedEx Supply Chain serão migrados para contratos da Ceva, nem se haverá revisão de preços nessa transição. Também não há, na fonte, qualquer menção a planos de expansão do negócio combinado para fora da América do Norte, nem a aprovações regulatórias que ainda possam estar pendentes em outras jurisdições.
O Boletim Pedido de Compra volta a acompanhar o tema se novos dados sobre repasse de custos aparecerem nas próximas semanas, e o Boletim Última Milha fica de olho em como a automação herdada das instalações da FedEx Supply Chain se reflete em prazos de entrega nos Estados Unidos.