Antes de ampliar um software de roteirização, teste se ele reduz o custo das entregas executadas sem comprometer a pontualidade. O piloto deve comparar a operação atual com rotas efetivamente percorridas, incluindo falhas de integração, reentregas e trabalho de correção. Economia simulada, sozinha, não comprova resultado.
Defina o que o piloto precisa provar
Escolha rotas representativas: inclua diferentes regiões, perfis de pedidos, veículos e exigências de recebimento. Evite selecionar apenas trajetos simples, que não expõem as dificuldades da operação.
Registre o desempenho atual e mantenha critérios comparáveis durante o teste. Se houver mudança de volume, concentração de clientes ou condições operacionais, documente a diferença antes de atribuir o resultado ao software.
Combine previamente as metas de custo, pontualidade e esforço de planejamento. Defina também quais falhas impedem a expansão, quem decide e quando o piloto será reavaliado.
Transforme restrições da rua em dados
Confira endereços, localização dos acessos, capacidade dos veículos, jornada, tempo de atendimento, janelas de recebimento e restrições de circulação. Separe exigências obrigatórias de preferências: uma proibição de acesso não pode ser tratada como uma escolha de trajeto.
Exemplo hipotético: uma loja recebe mercadorias pela entrada dos fundos, mas o cadastro aponta para a fachada. A sequência pode parecer eficiente na tela e exigir uma volta adicional na execução. Registre a causa e corrija o cadastro antes de repetir o teste.
O cuidado lembra a avaliação do slotting no WMS: encurtar um deslocamento não basta se a mudança transfere trabalho para outra etapa.
Teste a integração até o motorista
Acompanhe um pedido desde o ERP, passando pelo TMS e pelo roteirizador, até o aplicativo do motorista, conforme a arquitetura contratada. Confira identificadores, quantidades, horários, comprovantes e retorno dos status.
No IMTS — Índice de Maturidade Tecnológica em Supply Chain, da Inbrasc, de 2026, a integração entre sistemas desde o início foi citada como fator de sucesso das iniciativas tecnológicas por 40% das empresas respondentes. O levantamento ouviu 456 profissionais de 328 empresas.
No piloto, inclua situações que exigem intervenção:
- Pedido cancelado ou alterado depois do planejamento.
- Cliente fechado, entrega parcial ou recusa.
- Aplicativo sem conexão e sincronização posterior.
- Indisponibilidade de um sistema, com procedimento alternativo.
Para cada exceção, nomeie um responsável e confira se a atualização chega aos demais sistemas sem duplicar pedidos ou perder registros.
Meça a execução, não apenas a rota sugerida
Compare planejamento e execução por rota e consolide o período. Preserve as diferenças entre perfis operacionais para não esconder uma piora localizada na média.
| Indicador | O que registrar |
|---|---|
| Quilômetros efetivos | Percurso realizado e desvios |
| Custo por entrega concluída | Custos do período divididos pelas entregas concluídas |
| Pontualidade e reentregas | Cumprimento das janelas e novas tentativas |
| Esforço operacional | Horas extras e tempo corrigindo rotas |

Use o mesmo critério de custos na referência e no piloto. Inclua o esforço das tentativas frustradas, sem contá-las como entregas concluídas. A auditoria automatizada de fretes complementa essa conferência ao tratar da validação das cobranças.
Peça a motoristas e planejadores que registrem por que alteraram cada sugestão. Diferencie restrição ausente, dado incorreto, dificuldade de uso e preferência pessoal; não classifique toda intervenção como resistência.
Amplie somente com uma implantação documentada
Some licença, cobrança por uso, integração, saneamento de dados, treinamento e suporte. Registre prazo real, falhas, retrabalho e participação da equipe. Projeções comerciais devem permanecer separadas dos resultados medidos.
Amplie quando os critérios definidos forem atendidos em condições representativas. Corrija e repita quando houver falhas tratáveis. Interrompa quando persistirem inviabilidade operacional, piora do serviço ou custo sem justificativa. A decisão deve se apoiar no que a operação conseguiu executar, não na demonstração do fornecedor.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.
Rafael Quintanilha Doria é o especialista de mercado de tecnologia do Portal do Supply Chain. Cobre implantações pelo resultado medido, incluindo as que deram errado, e acompanha as movimentações dos fornecedores de compras e supply chain. Não assina conteúdo patrocinado.
