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Custo de caminhão autônomo exige conferir a economia

Escrito por Bruno dos Santos | 30/10/2026 15:09

Antes de contratar um caminhão autônomo, vale responder uma pergunta mais simples: a economia aparece em qual conta? A capixaba Lume Robotics já tem veículos em operação industrial e estima reduzir custos operacionais em aproximadamente 25%, considerando fatores como combustível e manutenção. Para quem contrata movimentação interna, o percentual só ajuda a decidir quando vem acompanhado da base de comparação.

Eu começaria pela definição do custo, não pela demonstração do veículo. A tese é simples: gastar menos com uma parte da operação não comprova que ficou mais barato transportar cada tonelada. O custo de caminhão autônomo precisa incluir o serviço que continua dependendo de pessoas e as despesas para colocar a tecnologia em funcionamento.

O caso da Suzano dá concretude à discussão: são quatro caminhões autônomos no transporte interno entre a linha de produção e o centro de distribuição. A Lume soma dez veículos autônomos em operação e seis clientes ativos. Esses números mostram aplicação real, mas não oferecem um comparativo de custos antes e depois. Não há base para atribuir os 25% especificamente à operação da Suzano.

Também é importante delimitar o uso: estamos falando de veículos automatizados em áreas privadas, não de caminhoneiros que trabalham por conta própria. Fábricas, portos e instalações de mineração são o principal mercado informado pela empresa. Isso não comprova desempenho equivalente em rodovias nem desconto no frete internacional.

Para comparar propostas, eu usaria o custo por tonelada movimentada: despesas atribuídas à operação no período divididas pelas toneladas efetivamente transportadas. A conta precisa manter critérios equivalentes de percurso, carga, turnos e nível de serviço. Como na escolha entre robô móvel autônomo e outras formas de movimentação, o fluxo real deve orientar a avaliação.

Infográfico: Caminhão autônomo pode poupar 25%; o que entra na conta

Por isso, sempre que uma proposta apresentar economia operacional, vale fazer três perguntas:

  1. Qual é a origem do percentual? Peça período, operação de referência, registros utilizados e identificação de quem calculou. Separe estimativa comercial de resultado medido.
  2. Quais despesas entraram? Confira combustível, manutenção, supervisão, intervenções humanas e suporte. Levante separadamente implantação, integração, treinamento e adaptações, distribuindo esses investimentos pelo horizonte da análise.
  3. Quanto trabalho foi entregue? Compare toneladas movimentadas, horas programadas e disponíveis, paradas e intervenções. Economia acompanhada de menor capacidade pode não atender à necessidade da fábrica.

O SCPI — Supply Chain Performance Index, da Inbrasc, de 2026, mostra por que essa conferência merece atenção: entre as empresas respondentes, 45% apontam a qualidade dos dados como barreira para melhorar o desempenho dos indicadores. O levantamento também registra sistemas legados e integração entre as barreiras, citados por 49%.

Parece detalhe técnico, mas uma parada pode desaparecer do indicador se a equipe contar apenas as horas em que o veículo estava funcionando. Disponibilidade deve relacionar o tempo disponível ao tempo programado para operar, com exclusões documentadas. Tirar a espera da conta não tira a espera do pátio.

Na prática, convém registrar também por que cada intervenção aconteceu e quanto tempo consumiu. Se o gargalo estiver na liberação da carga ou na doca, trocar o veículo não demonstra que ele foi resolvido. É a mesma distinção necessária ao avaliar o que um YMS resolve na gestão do pátio.

A boa notícia é que a primeira checagem não exige um painel sofisticado. Exige documentar a regra, guardar os registros e conferir uma amostra de viagens. Depois, compras e operação podem comparar o custo total, o volume entregue e as condições de suporte na mesma base.

O melhor indicador não é o que mostra a maior economia. É o que permite refazer a conta.

Na sua próxima cotação, você consegue identificar quais despesas e quais toneladas sustentam o percentual apresentado?

Bruno dos Santos

Colunista

Bruno dos Santos

DBA na Live University