O custo logístico sobre a receita pode cair mesmo quando a operação não economiza nada. Um aumento nos preços de venda eleva o denominador e reduz o percentual, sem alterar os gastos logísticos. Antes de comemorar o resultado ou cortar recursos, é preciso separar eficiência operacional de mudanças em preço, volume e perfil das vendas.
No Supply Chain Performance Index (SCPI), da Inbrasc, de 2026, Custo Logístico/Receita aparece entre os indicadores considerados mais importantes por 59% das empresas respondentes. O resultado reforça a utilidade de acompanhar essa relação, mas sua interpretação exige critérios consistentes.
Divida os custos logísticos do período pela receita líquida correspondente e multiplique por 100.
Custo logístico sobre a receita (%) = (custos logísticos ÷ receita líquida) × 100
Numerador e denominador precisam cobrir o mesmo período e as mesmas unidades de negócio. Use o regime de competência, não a data do pagamento, e concilie a receita líquida com a contabilidade. Documente o tratamento das devoluções, tanto na redução da receita quanto nos custos de coleta, transporte e processamento.
Antes de calcular, defina o perímetro:
Registre também as exclusões. Se a cobrança de um operador já reúne armazenagem, movimentação e pessoal, não some novamente esses componentes. Mudanças de classificação precisam ser identificadas para não parecerem ganhos ou perdas operacionais.
Considere esta simulação didática, sem relação com uma empresa real. Volume, mix, serviço e custos permanecem iguais; apenas o preço de venda aumenta.
| Indicador | Antes | Após reajuste |
|---|---|---|
| Custo logístico | R$ 100 mil | R$ 100 mil |
| Receita líquida | R$ 1 milhão | R$ 1,1 milhão |
| Custo sobre receita | 10% | 9,09% |
O percentual caiu, mas a economia logística foi zero. Na direção contrária, descontos comerciais podem piorar a relação sem aumento do gasto operacional.
Para investigar, acompanhe separadamente a variação do custo absoluto e da receita. Uma comparação das vendas a preços constantes ajuda a isolar o efeito do reajuste, desde que preserve produtos e quantidades comparáveis.
O consolidado também muda quando cresce a participação de produtos de maior valor ou de canais com outra estrutura de atendimento. Isso altera a relação entre custo e receita, mesmo sem mudança de produtividade dentro de cada operação.
Desdobre o indicador por canal, região e família de produtos. Atribua custos diretamente quando houver rastreabilidade; para despesas compartilhadas, escolha direcionadores ligados ao consumo de recursos, como posições ocupadas, peso transportado ou linhas separadas.
Explique os limites: ratear tudo pela receita pode penalizar produtos caros sem refletir seu esforço logístico. Comparações entre segmentos com perfis diferentes não devem virar rankings automáticos de eficiência.
Combine o percentual com custo por pedido, unidade ou tonelada, conforme a operação. Mesmo essas medidas exigem contexto: pedidos maiores, distâncias diferentes e entregas urgentes mudam o esforço necessário.
Antes de agir, verifique:
O OTIF ajuda a observar o atendimento no prazo e na quantidade acordados. Já giro e cobertura de estoque acrescentam contexto sobre disponibilidade e capital empregado.
A decisão deve partir da causa do desvio. Percentual menor, isoladamente, não comprova eficiência; percentual maior tampouco justifica um corte que comprometa o serviço.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.