Os custos logísticos no Brasil devem alcançar R$ 2,2 trilhões em 2026, equivalentes a 16,1% do PIB, conforme estimativa do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS). Para quem prepara o orçamento de 2027, o alerta combina transporte, armazenagem e capital imobilizado em estoques — mas não autoriza aplicar um reajuste único aos contratos de frete.
Há duas informações diferentes no levantamento: a projeção da conta nacional deste ano e a expectativa das empresas para o próximo. Entre as grandes companhias consultadas, 69% esperam aumento das despesas de transporte em 2027. Nesse grupo, a alta média esperada é de 9,6%, conforme os dados atribuídos ao ILOS.
A conta de R$ 2,2 trilhões é de 2026
A referência temporal importa. Os R$ 2,2 trilhões não são uma projeção para 2027 nem um resultado anual já fechado. São a estimativa para o encerramento de 2026, período também identificado na segunda publicação sobre o levantamento.
Segundo os números do ILOS, a participação dos custos logísticos no PIB foi de 15,5% em 2025. A previsão de 16,1% para 2026 representa avanço de 0,6 ponto percentual, e não aumento de 0,6% na despesa de cada empresa.
O indicador nacional tampouco é uma meta de gasto empresarial. Ele relaciona a conta logística agregada ao tamanho da economia; não estabelece quanto uma indústria ou um varejista deveria gastar em relação à própria receita.

O que compõe os custos logísticos
O levantamento reúne transporte, armazenagem e manutenção de estoques. Embora essas parcelas se relacionem, tratá-las como uma única despesa dificulta identificar onde está a pressão sobre o orçamento.
| Componente | O que observar no orçamento |
|---|---|
| Transporte | Movimentação das cargas, tarifas, volumes e condições de serviço |
| Armazenagem | Espaço, capacidade utilizada e operação das instalações |
| Manutenção de estoques | Capital imobilizado em mercadorias e tempo de permanência |
O transporte permanece como a principal parcela: segundo o ILOS, sua participação tem ficado próxima de 9% do PIB desde 2020. Já a manutenção de estoques passou de 2,9% do PIB em 2020 para 5,6% em 2023, percentual que se manteve em 2025.
Essas referências ajudam a explicar a trajetória, mas não formam uma decomposição completa de 2026. Não se deve somar percentuais de anos diferentes nem calcular a armazenagem como simples diferença entre eles.
O que a pesquisa empresarial mede
Além da estimativa nacional, o ILOS pesquisou, no primeiro semestre de 2026, mais de 100 das maiores empresas industriais e varejistas do país, considerando o faturamento. Entre as consultadas, os custos logísticos representaram, em média, 9,5% da receita líquida.
A distância entre setores é expressiva: materiais de construção registraram 19,8%, enquanto tecnologia e telecomunicações ficaram em 3%. Peso, volume, valor das mercadorias e desenho da distribuição ajudam a entender por que uma média geral não serve como teto para qualquer operação.
A descrição disponível identifica período e perfil das empresas consultadas, mas não detalha o cálculo da estimativa nacional nem a distribuição completa da amostra. Portanto, os 9,5% devem ser lidos como resultado daquele grupo, não como retrato de todas as empresas brasileiras.
O SCPI — Supply Chain Performance Index, da Inbrasc, de 2026, acrescenta uma perspectiva sobre prioridades de gestão: entre as empresas respondentes, 59% apontam Custo Logístico/Receita entre os KPIs mais importantes e 55% indicam esse indicador como foco para os próximos 12 meses. Os resultados reforçam a atenção ao tema, mas não medem a mesma base do levantamento do ILOS.
Por que juros pressionam o estoque sem mudar o frete
Manter mercadoria parada compromete recursos que poderiam financiar outras atividades. Quando o custo do capital aumenta, carregar o mesmo estoque pode ficar mais caro, mesmo sem expansão equivalente do volume armazenado.
Isso explica por que negociar apenas a tarifa de transporte pode ser insuficiente. Um lote maior pode diluir o frete por unidade e, ao mesmo tempo, elevar a permanência das mercadorias e o capital necessário para sustentá-las.
A decisão precisa combinar demanda, prazo e risco de falta. Como discutido na análise sobre giro e cobertura de estoque, a revisão deve separar produtos e locais: reduzir indiscriminadamente a cobertura pode trocar custo financeiro por ruptura e entregas emergenciais.
O que os números de 2027 permitem concluir
A expectativa de alta é um sinal para preparar cenários, não uma tabela de preços a aceitar antecipadamente.
| Despesa | Empresas que esperam aumento | Alta média projetada informada |
|---|---|---|
| Transporte | 69% | 9,6% entre as que projetam alta |
| Armazenagem | 44% | 5,7% |
| Manutenção de estoques | 31% | 7% |
Os percentuais apresentados pelo ILOS não demonstram reajustes contratados. Também não permitem concluir que todas as rotas, instalações ou operações terão a mesma variação.
No transporte, despesa total e tarifa são medidas diferentes. O gasto pode aumentar porque a empresa movimentou mais carga, mudou destinos ou passou a exigir entregas mais frequentes. Antes de atribuir toda a diferença ao preço cobrado pela transportadora, é necessário separar esses efeitos.
O estudo não estabelece um valor de frete por quilômetro para 2026 ou 2027. Esse cálculo exige as condições da operação e da contratação, que a estimativa agregada não fornece.
Quais premissas revisar antes de fechar o orçamento
A aplicação prática é construir uma base comparável entre o realizado de 2026 e os cenários de 2027. Para isso, o gestor deve revisar:
- Transporte: volumes por rota, frequência, ocupação, tarifas vigentes e regras contratuais de reajuste.
- Estoques: valor médio, cobertura, prazo de reposição e taxa financeira adotada pela empresa.
- Armazenagem: capacidade utilizada, custos fixos e variáveis e necessidade efetiva de expansão.
- Serviço: prazos prometidos, ocorrências de atraso e despesas com urgências.
Na armazenagem, aluguel menor não garante economia. A análise do custo de ocupação de um galpão logístico precisa considerar localização, adaptações e impacto sobre a distribuição.
O mesmo raciocínio vale para mudanças de modal. Ao comparar rodovia e ferrovia pelo custo porta a porta, entram na conta transbordos, capacidade disponível e efeito do prazo sobre o estoque.
O próximo passo é transformar essas premissas em cenários com responsáveis e critérios de revisão. O levantamento justifica atenção ao orçamento; não substitui cotações, contratos e dados operacionais. É essa separação que evita tanto subestimar a pressão de custos quanto aceitar aumentos sem comprovação.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.
Renata Bicalho Furtado é a especialista de Logística do Portal do Supply Chain. Acompanha o que se move no setor — aquisições, concessões, obras, novos CDs, greves e resultados — e publica o fato com número, data e fonte. Cada nota termina no efeito prático para quem toca a operação.
