A Zoll Medical reforçou estoques e passou a desenvolver relações com fabricantes de chips para proteger o abastecimento de seus equipamentos médicos, relatou seu presidente do conselho, Jon Rennert. A resposta à escassez de semicondutores desloca a discussão de Compras: além de negociar com quem entrega a placa eletrônica, a empresa busca alcançar quem produz o componente que pode interromper a fabricação.
O caso foi apresentado na The MedTech Conference, da AdvaMed, em Boston, e divulgado em 23 de outubro. Executivos da Solventum e da Vantive também discutiram continuidade operacional. Os relatos mostram decisões e recomendações, mas não apresentam indicadores que comprovem redução de rupturas ou retorno dos investimentos.
Historicamente, a Zoll comprava placas eletrônicas de fabricantes contratados e não mantinha relações com os principais fornecedores de chips. Agora, segundo Rennert, procura mostrar a esses fabricantes a importância dos componentes para os pacientes que dependem de seus equipamentos, como desfibriladores externos automáticos.
O executivo descreveu uma nova pressão em 2026: a expansão da infraestrutura de inteligência artificial coloca fabricantes de dispositivos médicos em disputa com a demanda de data centers por semicondutores. Essa é a avaliação apresentada por Rennert; o relato não dimensiona a escassez por tipo de chip, região ou prazo.
A aproximação da Zoll com os fabricantes de componentes procura dar visibilidade a uma demanda que, isoladamente, é pequena. Não há, porém, informação sobre cotas reservadas, contratos diretos ou prioridade de entrega efetivamente obtida.
Para o comprador brasileiro, a medida replicável é mapear além do fornecedor contratado: identificar o fabricante do componente crítico, a dependência entre empresas e quem pode negociar uma resposta à restrição. Isso não significa eliminar o intermediário ou alterar automaticamente o contrato existente.
O princípio se aproxima da rastreabilidade que conecta o lote à origem: conhecer apenas o vendedor não esclarece toda a cadeia. No caso dos chips, essa visibilidade precisa alcançar também as fontes das quais o fornecedor depende.
Rennert afirmou que a Zoll realizou investimentos estratégicos em estoque. Reconheceu o custo da decisão e explicou que a disponibilidade adicional dá tempo para reagir às mudanças.
A fonte não informa o valor aplicado, os componentes selecionados ou a cobertura obtida. Portanto, seria incorreto concluir que a empresa ampliou todos os estoques ou demonstrou determinada redução de risco.
Como análise de Compras, a escolha exige comparar o custo de manter material com a consequência de faltar. Um componente barato pode justificar atenção elevada se impedir a entrega de um equipamento essencial e não tiver substituto aprovado.
A decisão deve partir de consumo, disponibilidade e tempo necessário para obter uma alternativa. Uma previsão de demanda avaliada por WAPE e viés ajuda a discutir esse dimensionamento sem transformar uma projeção otimista em justificativa permanente para comprar mais.
A Zoll também enfrentou fornecedores que fecharam fábricas depois de perder clientes por causa das tarifas, segundo Rennert. Para reagir, desenvolveu relações com fornecedores paralelos que tinham capacidade excedente e poderiam antecipar projetos da empresa, se necessário.
Esse ponto amplia o diagnóstico: o risco pode surgir não da demanda da própria compradora, mas da perda de escala do fornecedor em outros mercados. Acompanhá-lo exige perguntar sobre continuidade de instalações, capacidade disponível e dependências relevantes.
O relato não esclarece quais alternativas foram homologadas, quais testes passaram ou se já receberam pedidos. Relacionamento desenvolvido não equivale a substituição validada. Para transformar a alternativa em plano executável, a recomendação é registrar:
Heather Knight, diretora comercial da Solventum, apresentou um limite importante: com 30 mil SKUs, não é possível criar redundância para todo o portfólio. Sua recomendação foi começar pelos produtos essenciais à vida dos quais os clientes dependem e construir a resiliência a partir deles.
Knight também sugeriu aproximar compras, fabricação e mercados atendidos e examinar antecipadamente possibilidades de registro de produtos em diferentes jurisdições. São propostas discutidas no encontro, não resultados de projetos detalhados na reportagem.
Para Compras, a aplicação é segmentar criticidade antes de distribuir recursos. O critério não deve ser apenas gasto anual: entram impacto da interrupção, dificuldade de substituição e tempo de recuperação. Uma segunda fonte sem as aprovações necessárias pode existir comercialmente e continuar indisponível operacionalmente.
Christopher Toth, CEO da Vantive, defendeu plano de recuperação com responsável definido, planejamento integrado e lideranças regionais responsabilizadas pelo estoque. Nessa lógica, aumentar cobertura deixa de ser uma decisão isolada da cadeia e passa a ter consequência explícita no resultado da região.
A Vantive possui 20 instalações industriais globais e atende pacientes que dependem de entregas domiciliares de soluções para diálise. Essa estrutura contextualiza a preocupação com continuidade, mas não demonstra, por si, desempenho superior.
| Decisão discutida | Aplicação com menor investimento | O que exige mais recursos |
|---|---|---|
| Visibilidade da cadeia | Mapear componentes e dependências | Negociar capacidade dedicada |
| Estoque seletivo | Priorizar itens e aprovar limites | Financiar cobertura adicional |
| Alternativas | Definir requisitos e responsáveis | Testar, aprovar e transferir produção |
| Continuidade regional | Estabelecer responsáveis e gatilhos | Alterar instalações e rede produtiva |
O contexto brasileiro acrescenta um alerta sobre execução. No IMTC — Índice de Maturidade Tecnológica em Compras, da Inbrasc, de 2026, apenas 21% das empresas respondentes monitoram riscos de fornecedores de forma madura, enquanto 52% fazem esse acompanhamento de maneira manual ou parcial. Os números ajudam a contextualizar a necessidade de responsáveis e informação organizada, mas não medem a exposição dessas empresas à falta de chips.
Para acompanhar uma iniciativa semelhante, Compras pode registrar cobertura dos itens críticos, pedidos atrasados por componente, prazo até a liberação de uma alternativa e custo adicional de estoque. A comparação precisa manter critérios consistentes antes e depois da mudança.
Nos casos apresentados, ainda faltam esses resultados. O aprendizado demonstrável está nas escolhas relatadas: a Zoll investiu em estoque e relacionamentos; Solventum e Vantive explicaram critérios de priorização e governança. O próximo passo não é copiar o tamanho do investimento, mas escolher uma dependência crítica, atribuir responsáveis e exigir evidência de que a resposta funciona.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.