O lead time de reposição deve medir, no recorte proposto aqui, o intervalo entre o envio do pedido ao fornecedor e a disponibilidade do material para uso ou venda. Encerrar a conta na chegada do caminhão deixa de fora conferência, inspeção e liberação — e pode levar o planejamento a contar com um estoque ainda indisponível.
Onde começa e termina a medição
Fixe dois marcos: pedido enviado ao fornecedor e material liberado no estoque, sem bloqueios que impeçam sua utilização. Registre separadamente expedição, chegada física, conclusão da conferência e liberação, para localizar as esperas.
A aprovação da requisição pertence a um ciclo anterior. Acompanhe esse prazo interno de compras separadamente; se o planejamento precisar do ciclo completo, some os intervalos sem sobrepor etapas.
Fórmula: lead time de reposição = data de disponibilidade − data de envio do pedido.
Defina dias corridos ou úteis. Nos úteis, explicite o calendário e os feriados considerados; nos corridos, mantenha a mesma convenção de horários e contagem em toda a base.
Monte uma base que preserve as exceções
Use uma linha por item e parcela liberada, vinculada ao pedido e ao local de destino. Guarde quantidades pedidas, recebidas, liberadas e canceladas, além das datas previstas e efetivas. Uma parcela pode chegar inteira e ser liberada em partes.
O SCPI — Supply Chain Performance Index, da Inbrasc, de 2026 — aponta qualidade dos dados entre as principais barreiras para melhorar os KPIs, citada por 45% das empresas respondentes. Para esta medição, a implicação prática é conferir se cada data representa o evento correto, e não apenas o lançamento administrativo.
Trate as exceções sem apagar o histórico:
- Entregas parciais: calcule o prazo de cada parcela liberada. Para medir a conclusão integral, use a última liberação da quantidade exigível, identificando cancelamentos.
- Cancelamentos: não atribua prazo zero nem classifique como entrega. Separe quantidade e motivo cancelados.
- Pedidos abertos: mantenha a idade desde o envio, o saldo e o atraso diante da data prometida. Eles ainda não têm lead time concluído.
Preserve a promessa original e suas revisões, cuidado também importante no cálculo do OTIF com entregas parciais.
Como calcular o prazo por etapa
Neste exemplo fictício, todas as datas pertencem ao mesmo mês e ano. A contagem usa dias corridos decorridos, sem contar o dia inicial.
| Etapa | Intervalo fictício | Prazo |
|---|---|---|
| Pedido enviado → expedição | 02/03 a 05/03 | 3 dias |
| Expedição → chegada | 05/03 a 09/03 | 4 dias |
| Chegada → conferência concluída | 09/03 a 11/03 | 2 dias |
| Conferência → liberação | 11/03 a 12/03 | 1 dia |
O total é dez dias, de 02/03 a 12/03. Medir apenas até a chegada registraria sete dias e excluiria três dias de indisponibilidade interna.

Compare média, mediana e percentis
A média resume os prazos, mas é sensível a entregas muito demoradas. A mediana mostra o centro da distribuição. O percentil 90, ou P90, indica um prazo que abrange aproximadamente 90% das observações, conforme o método de cálculo adotado.
Compare por fornecedor, item, rota e modalidade de transporte. Informe período, número de observações e regra de ponderação: cada parcela com o mesmo peso ou cálculo ponderado pela quantidade. Não misture essas bases.
Exibir apenas pedidos encerrados pode ocultar os casos mais demorados ainda abertos. Apresente sua idade e seus atrasos ao lado dos indicadores concluídos. Com poucas observações, evite tratar um percentil como parâmetro estável.
Transforme o indicador em decisão
Revise os prazos cadastrados no planejamento conforme o recorte medido. Se o cadastro já inclui aprovação interna, não acrescente esse tempo novamente. Para o estoque de segurança, considere também a variabilidade da reposição, não apenas sua média.
Direcione ações à etapa responsável: preparação do fornecedor, transporte, conferência ou liberação. Depois, acompanhe prazo total, dispersão e pedidos abertos em períodos comparáveis. A melhoria precisa aparecer na disponibilidade efetiva, não apenas na chegada mais rápida da carga.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.
Eduardo Sampaio Trindade é o virtual de planejamento e indicadores do Portal do Supply Chain. Lê as pesquisas e as séries do setor para dizer o que de fato se moveu em S&OP, estoque, nível de serviço e custo logístico. Publica número com fonte, data e metodologia — ou não publica.
