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IA em supply chain: roteiro de 12 meses para liderança

Escrito por Redação Portal do Supply Chain | 09/10/2026 03:26

O Supply Chain Revolution, evento interno que reúne toda a liderança de Supply Chain Brasil da Lactalis, aconteceu em Campos do Jordão sob condução de Paulo Leônidas, diretor de Supply Chain da companhia. Um dos convidados foi Alex Leite, sócio-diretor da Live University (liveuniversity.com), com a palestra "IA é a nova língua do Supply Chain: você é fluente ou analfabeto?". A provocação do título resume o recado: para quem lidera operação, dados e fornecedores, a pergunta não é mais se vai usar IA, é se sabe conversar com ela.

O relato da palestra, assinado pelo próprio Alex Leite, chegou à redação como registro de quem esteve lá. O texto a seguir organiza o que ele apresentou e, principalmente, o roteiro que propôs à liderança da Lactalis para os próximos 12 meses — uma sugestão do palestrante, não um plano assumido pela companhia.

Fluência não é jargão técnico

Para Alex Leite, fluência em IA tem uma definição prática: conseguir formular uma pergunta operacional, conferir a resposta e usar o resultado com responsabilidade. Isso não substitui o conhecimento de quem lidera a operação — pelo contrário, depende dele. A ferramenta só produz algo útil quando recebe contexto de quem entende do negócio.

Em frente ao painel do Supply Chain Revolution, evento que reúne a liderança de Supply Chain Brasil da Lactalis, em Campos do Jordão. Divulgação.

A palavra "analfabeto" no título da palestra foi pensada como provocação, não como desqualificação.

A palavra analfabeto no título foi uma provocação sobre essa competência. Não se trata de desqualificar a experiência de quem lidera, mas de perguntar quanto dessa experiência consegue se converter em orientação clara para a IA. (autor) Alex Leite, sócio-diretor da Live University

Quatro aplicações, pouca teoria

As demonstrações partiram de ferramentas que já circulam no dia a dia de quem trabalha com planejamento e operação: recursos de IA embutidos no pacote Office, dashboards, aplicativos construídos em HTML e agentes autônomos. A escolha não foi acidental: o objetivo era aproximar a tecnologia dos instrumentos que o time da Lactalis já usa, em vez de vender conceito.

Alex Leite mostrou análises e apresentações geradas a partir das próprias planilhas usadas pelo time de Supply Chain. Também apresentou dashboards montados sobre bases de dados reais e aplicativos em HTML voltados a problemas específicos de gestão. A ressalva veio junto: um protótipo serve para testar hipóteses, mas exige validação, segurança e manutenção antes de qualquer coisa entrar de fato na rotina da operação.

Agente autônomo exige contrato de limites

A frente mais sensível das demonstrações foram os agentes autônomos, capazes de executar sequências de tarefas dentro de um escopo definido. A responsabilidade por esses limites, segundo o palestrante, continua sendo da organização, não da ferramenta.

Três perguntas precisam de resposta antes de qualquer agente entrar em produção:

  • Quais dados o agente pode acessar;
  • Quais ações ele pode executar sozinho;
  • Em que ponto uma aprovação humana se torna obrigatória.

Revisão de resultados e registro das ações executadas foram apontados como práticas mínimas para acompanhar o funcionamento desse tipo de automação.

O número que separa usar de adotar

Para sustentar o argumento de que uso pontual e adoção estruturada são coisas diferentes, Alex Leite recorreu ao IMTS 2026, levantamento da Live University em parceria com a Inbrasc. O dado central: 88% das empresas pesquisadas já usam IA generativa, mas 59% não têm aplicações estruturadas de IA.

A leitura que ele propõe é direta: ter acesso a uma ferramenta não é o mesmo que incorporá-la à rotina com governança. Esse mesmo diagnóstico aparece em pesquisa publicada em 2025 por McKinsey e MIT (mckinsey.com/capabilities/operations/our-insights/bold-accelerators-how-operations-leaders-are-pulling-ahead-using-ai), que identifica patrocínio executivo, colaboração entre áreas e gestão de dados como fatores que separam empresas que avançam das que ficam paradas na fase de experimento.

O roteiro de 12 meses proposto à liderança da Lactalis

O convite deixado por Alex Leite aos líderes presentes em Campos do Jordão foi começar pequeno, com processo real, dono definido e indicador acompanhado. Vale repetir: é uma proposta de ação discutida na palestra, não um plano já assumido pela Lactalis.

  1. Escolher um problema concreto — uma tarefa com retrabalho, demora ou dificuldade recorrente de análise.
  2. Definir o responsável — quem conduz o teste, valida as entregas e acompanha o processo.
  3. Escolher um indicador — comparar a situação inicial com os resultados, em tempo, qualidade, custo ou nível de serviço.
  4. Testar com limites — usar apenas dados autorizados e definir critérios de revisão antes de incorporar a solução à rotina.
  5. Escalar com evidência — ampliar a aplicação quando resultado e segurança justificarem o passo seguinte.

A advertência que fecha o roteiro é sobre o erro mais comum nesse tipo de iniciativa: distribuir licenças de ferramentas de IA sem casos de uso definidos aumenta o risco de subutilização. Para Alex Leite, a ferramenta precisa encontrar um problema que valha a pena resolver antes de virar política de empresa.

O próximo passo

O roteiro é uma proposta de Alex Leite aos líderes presentes, não um plano anunciado pela Lactalis. O convite que ele deixou foi sair da demonstração de Campos do Jordão escolhendo uma aplicação que possa ser avaliada na operação, com um responsável e um indicador definidos desde o início.

Alex Leite agradeceu a Paulo Leônidas, diretor de Supply Chain da Lactalis, e a todo o time da companhia pelo convite para a conversa no Supply Chain Revolution.