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Reshoring nos EUA: o que os 36% da pesquisa representam

Escrito por Eduardo Sampaio Trindade | 19/10/2026 17:03

Entre as fabricantes de equipamentos originais (OEMs) ouvidas nos Estados Unidos, 36% já transferiram parte da produção para o país ou estão trabalhando nessa transferência, ante 29% em 2025. O resultado da 2026 USA Reshoring Survey sinaliza maior adesão ao movimento, mas não mede apenas operações concluídas — distinção importante antes de rever capacidade, prazos e estoques no Brasil.

A pesquisa, realizada pela Reshoring Initiative e pela Regions Recruiting, ouviu 249 fabricantes: 118 OEMs e 131 fabricantes sob contrato. Os resultados foram divulgados em reportagem de 5 de outubro.

O que a pesquisa sobre reshoring realmente mede

Reshoring é o retorno ao país de origem de uma produção anteriormente realizada no exterior. Offshoring é o movimento de deslocamento da produção para fora do país.

Entre os fabricantes sob contrato consultados, a parcela que transferiu produção ou está envolvida nesse esforço passou de 16% para 32%. Já 79% disseram que pelo menos alguns clientes haviam discutido reshoring no ano anterior. Discutir, executar e concluir são estágios diferentes.

Resultado informado Leitura adequada O que não comprova
36% das OEMs Transferência realizada ou em andamento Que todas concluíram a mudança
32% dos fabricantes sob contrato Ação realizada ou em curso Quanto volume foi transferido
79% dos fabricantes sob contrato Discussão por alguns clientes Investimento aprovado ou produção iniciada
Infográfico: Reshoring nos EUA avança, mas plano não é capacidade entregue

A reportagem identifica os organizadores e a composição da amostra, mas não detalha período de coleta, seleção dos participantes ou comparabilidade das amostras de 2025 e 2026. A leitura prudente é tratar os percentuais como resultados dos grupos consultados, não como um censo da indústria americana.

Benefícios relatados não são metas de desempenho

Entre as OEMs, 70% citaram maior velocidade para chegar ao mercado, 65% melhor atendimento de pedidos ou pontualidade e 60% economia logística como benefícios operacionais. Isso não significa redução de 60% no custo logístico nem melhora de 65% nas entregas: os números expressam a parcela que mencionou cada benefício.

A execução também encontra obstáculos. Na pesquisa, 66% dos respondentes classificaram a contratação de profissionais técnicos como muito difícil ou em nível de crise. A incerteza sobre políticas comerciais e tarifas aparece como outra barreira ao investimento.

Para o planejamento, a implicação é condicional: uma transferência pode mudar a origem do abastecimento sem disponibilizar imediatamente todo o volume prometido. Cronograma e capacidade precisam ser confirmados com cada fornecedor.

Quais indicadores acompanhar no Brasil

O Supply Chain Performance Index (SCPI), da Inbrasc, de 2026, mostra a relevância desses controles entre as empresas respondentes: OTIF e Lead Time Pedido-Entrega foram apontados, cada um, por 47% como indicadores entre os mais importantes. O dado ajuda a selecionar o que monitorar, mas não mede efeitos do reshoring americano no Brasil.

Na prática, vale organizar o acompanhamento por fornecedor, item e origem:

  • Capacidade disponível: volume confirmado para sua empresa e data em que poderá ser atendido.
  • Lead time de fornecedores: prazo prometido, prazo realizado e variação entre entregas.
  • OTIF: pedidos recebidos completos e no prazo, mantendo critérios consistentes antes e depois da mudança.
  • Custo total: preço, frete, tributos e custo de manter estoque, em vez de comparar apenas a cotação.

Ao revisar o cálculo do OTIF, preserve a mesma regra de medição. Se houver nova unidade produtiva, avalie também a homologação da segunda fonte, sem presumir equivalência automática.

Quando mudar o plano de abastecimento

No S&OP, a pesquisa pode alimentar cenários, mas não justifica sozinha aumentar estoques ou trocar fornecedores. Uma revisão do plano-base deve se apoiar em evidências do parceiro: cronograma confirmado, capacidade alocada, condições comerciais e desempenho das entregas.

O avanço americano tampouco comprova ganho ou perda para fornecedores brasileiros. O sinal útil é investigar onde a mudança alcança sua cadeia — e só converter intenção em capacidade planejada quando houver evidência operacional.

Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.