O road feeder service (RFS) é o trecho rodoviário que liga centros de distribuição, fábricas e armazéns aos terminais de carga dos aeroportos, muitas vezes substituindo um trecho aéreo mais curto por caminhão. Segundo reportagem do Air Cargo News publicada em 5 de outubro de 2026, esse segmento cresceu em importância para as companhias aéreas, mas nunca teve um órgão representativo próprio nem regras comuns entre operadores, handlers e companhias aéreas.
O problema mais citado pelos próprios transportadores é o agendamento de slots nos terminais de carga aeroportuários. Sem padrão de alocação, caminhões e motoristas perdem horas esperando vaga para carregar ou descarregar, o que já causou conexões de voo perdidas e promessas de retirada de carga não cumpridas. Some-se a isso a ausência de um contrato padrão entre RFS e companhias aéreas, a falta de dados compartilhados em tempo real sobre a carga na estrada e uma escassez crescente de motoristas, agravada por instalações precárias nos terminais.
A International Road Feeder Association (IRFA) foi anunciada durante o evento Aviation Connect, em Atenas, com seis empresas fundadoras: Arthur Welter Transport, Georgi Transport e Jan de Rijk (Europa), Wallenborn Transport, Thor Xpress (Estados Unidos) e Wymap Transport (Austrália). A entidade é sem fins lucrativos e está em processo de registro em Luxemburgo, o que já sinaliza a ambição de atuar como interlocutora pan-europeia e, por extensão, global.
Henrik Ambak, presidente e secretário da associação, descreveu o escopo de atuação do IRFA em entrevista coletiva de lançamento:
O objetivo do IRFA é representar o setor de RFS e outras partes interessadas. Isso pode incluir recomendar boas práticas em segurança, sustentabilidade, documentação, processos e sistemas, participar da elaboração de regulamentações relevantes, atuar como organização de contato para as autoridades e oferecer treinamento e disseminação de informação para o setor. (original, en) The topic of IRFA is to represent the RFS industry and other stakeholders. It could be recommending best practice on security, sustainability, safety, documentation, process and systems, participating in the elaboration of relevant regulations, acting as a contact organisation for authorities, and providing training and information dissemination to the sector. (autor) Henrik Ambak, presidente, International Road Feeder Association
A ideia não nasceu agora. Ram Menon, COO da Wallenborn Transport e um dos integrantes do conselho, contou que a proposta começou a ser discutida dois anos antes, numa edição anterior do próprio Aviation Connect, o que mostra que o setor vinha amadurecendo a demanda por representação antes de formalizá-la.
Ambak citou um dado que dimensiona por que o tema importa para quem decide roteirização e nível de serviço: na Europa, um terço de toda a carga aérea começa ou termina sua viagem com um trecho de RFS. Isso significa que falhas de agendamento de doca ou contratos mal definidos nesse trecho rodoviário afetam diretamente o OTIF da ponta aérea, mesmo quando o voo em si roda sem atraso.
O conselho de liderança reúne executivos dos seis fundadores, o que dá à associação alcance em três continentes já na largada:
| Nome | Cargo | Empresa |
|---|---|---|
| Henrik Ambak | Presidente e secretário | IRFA |
| Michael Rau | Chief sales officer | Arthur Welter Transport |
| Christian Georgi | Chief operating officer | Georgi Transport |
| Ram Menon | Chief operating officer | Wallenborn Transport |
| David Smorenburg | Business development manager | Jan de Rijk |
| Kirk Ejdys | Owner | Thor Xpress |
| Justin Bailey | Chief executive | Wymap Transport |
O IRFA listou uma pauta concreta de prioridades, que serve de roteiro para qualquer operação que lide com transporte rodoviário atrelado à carga aérea, mesmo fora da Europa:
Sobre a alocação de slot, especificamente, o próprio IRFA descreveu o tamanho do problema: operadores de RFS "perdem muitas horas de caminhão e motorista por alocação insuficiente de slot nos terminais de carga aeroportuários", o que "frequentemente leva a falhas de serviço, com conexões de voo perdidas ou promessas de retirada não cumpridas". A entidade diz querer, junto com os ground handlers, "criar padrões sólidos de alocação de slot para carga e descarga de caminhões, reduzindo falhas de serviço e aumentando a eficiência".
Menon resumiu o motivo pelo qual achou que o setor precisava de voz própria, numa frase que capta o ângulo operacional antes de qualquer discussão de tecnologia ou sistema:
Normalmente somos esquecidos, mas se os caminhões não rodam, os aviões não voam cheios. Nunca tivemos voz, e todo o propósito disso é nos dar voz para que possamos ir até o setor e trazer algo em nível estrutural e tangível. (original, en) We are normally forgotten, but if the trucks don't run, the planes don't fly full. We have never had a voice and the whole purpose of this is to give us a voice so we can go to the industry and bring something to the industry on a structural level and on a tangible level. (autor) Ram Menon, chief operating officer, Wallenborn Transport
Para quem gerencia operação de transporte ligada a aeroportos, a fundação do IRFA ainda não resolve nenhum dos problemas listados: contrato padrão, regra de slot e dado em tempo real seguem por negociar com handlers e companhias aéreas. O que muda, por ora, é a existência de um canal único para levar essas pautas à mesa, algo que o setor de RFS, ao contrário de armadores marítimos ou handlers aeroportuários, nunca teve.