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Frete aéreo internacional e a demanda 7,7% maior em 2026

Escrito por Bruno dos Santos | 30/10/2026 15:08

A demanda global por carga aérea cresceu 7,7% em setembro de 2026, enquanto a capacidade avançou 2,7%, segundo dados da IATA divulgados em 29 de outubro. Antes de revisar o orçamento do embarque, vale responder uma pergunta simples: esse movimento chegou à sua rota ou apenas ao seu painel?

Eu começaria pela definição do dado, não pela previsão de preço. A tese é incômoda, mas útil: crescimento da demanda não é percentual de reajuste do frete aéreo internacional. Para quem importa no Brasil, o indicador serve para orientar a consulta ao mercado, não para substituir uma cotação.

A IATA mede a demanda em toneladas-quilômetro de carga, ou CTKs: uma medida que combina peso transportado e distância percorrida. A capacidade aparece em toneladas-quilômetro disponíveis, os ACTKs. Portanto, o crescimento não significa necessariamente mais embarques na mesma proporção, nem informa quanto custa transportar a sua mercadoria.

O contraste concreto está no próprio levantamento. Globalmente, a demanda cresceu 7,7% e a capacidade, 2,7%. Entre companhias da América Latina e do Caribe, a demanda avançou 6,7%, mas a capacidade aumentou 7,6%. Nesse grupo, a ocupação caiu 0,3 ponto percentual, para 34,3%: o sinal foi diferente do agregado mundial, sem comprovar espaço disponível em um voo específico.

Infográfico: Frete aéreo internacional exige olhar além da alta de 7,7%

Nas operações internacionais, a demanda cresceu 8,6% e a capacidade, 3,3%. Esse recorte é mais próximo da discussão sobre comércio exterior, mas continua amplo. Os números das companhias latino-americanas também não devem ser tratados como retrato exclusivo das rotas de importação brasileiras.

O combustível acrescenta pressão, não uma fórmula pronta de repasse. Segundo os dados atribuídos à IATA, o preço do combustível de aviação subiu 17,5% em setembro frente a agosto e ficou 103,4% acima de um ano antes. Isso ajuda a entender a dificuldade de rentabilidade das transportadoras, mas não demonstra que a sobretaxa do seu contrato deva acompanhar a mesma variação.

Por isso, sempre que um indicador global entrar na negociação, eu faria três perguntas:

  1. Qual é a rota e a janela de embarque? Peça confirmação de espaço, conexões e prazo para a carga que precisa transportar.
  2. O que mudou na proposta? Separe tarifa-base, combustível e demais cobranças, mantendo iguais moeda, peso considerado e escopo do serviço.
  3. Qual decisão o dado justifica? Compare a nova cotação com o histórico equivalente antes de antecipar carga ou alterar o orçamento.

Parece detalhe técnico, mas misturar essas camadas só deixa o erro mais convincente. Uma explicação sobre combustível pode ser pertinente e, ainda assim, insuficiente para justificar o preço completo. Vale retomar o cuidado de comparar cotações de frete com o mesmo escopo, em vez de confrontar apenas o valor destacado na proposta.

O SCPI — Supply Chain Performance Index, da Inbrasc, de 2026, mostra por que essa conversa importa: 59% das empresas respondentes apontaram Custo Logístico/Receita entre os indicadores mais importantes. Minha leitura é que acompanhar o mercado só agrega valor quando ajuda a explicar uma mudança concreta nesse custo.

A boa notícia é que essa checagem não exige outro dashboard. Exige documentar a origem do indicador, guardar propostas comparáveis e conferir a disponibilidade com o agente de cargas. Se houver risco de ruptura, o passo seguinte é avaliar quais itens justificam um lote aéreo, não antecipar toda a importação por causa da manchete.

O melhor indicador não é o mais abrangente. É o que ajuda a decidir sem esconder seus limites.

Na sua próxima contratação, você vai negociar com base na média mundial ou nas condições documentadas do seu embarque?

Colunista

Bruno dos Santos

DBA na Live University